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quinta-feira, 22 de maio de 2008

CONCENTRAÇÃO DE RENDA

O Ipea(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) concluiu um estudo que mostra que 75,4% da riqueza do país está nas mãos dos 10% mais ricos e que os mais pobres pagam 44,5% mais impostos. A explicação para tanta diferença entre o peso dos impostos está na forma de cobrança. Segundo o Ipea, está na chamada tributação indireta, embutida em alimentos e bens de consumo. Como o brasileiro mais pobre gasta a maior parte da sua renda em bens de consumo, com produtos de sobrevivência, acaba pagando mais impostos, conclui o Ipea. Culpa de um sistema tributário injusto que só vem acentuando as desigualdades sociais.
E aí vem a pergunta, e o Governo? Cujo papel seria conciliar, minimizar, tanta desigualdade! É esse o problema! Não existe nenhuma ação nesse sentido! Quantas vezes já ouvimos falar sobre reforma tributária? Sobre impostos extras sobre fortunas ou heranças? Nada acontece, pelo contrário. O que acontece são discussões sobre novos impostos para acharcar ainda mais a população. Agora querem recriar a CPMF, com a desculpa de que os recursos serão destinados para a saúde. Ora, bastaria fechar alguns ministérios inoperantes que sobraria recursos à beça. Infelizmente, economizar não é um verbo conjugado no setor público. Em que pese ser a base do sucesso em qualquer atividade. Inclusive na contenção da inflação que já vem dando alguns sinais de vida.

terça-feira, 13 de maio de 2008

BIODIVERSIDADE

As intervenções do Quinho e do Fernando no texto anterior suscitaram novas reflexões. Uma delas, sobre a nossa biodiversidade - quantidade de espécies animais e vegetais de uma região -. Se considerarmos que grande parte dos medicamentos existentes, inclusive produtos cosméticos e agroquímicos, têm o seu princípio ativo extraído de plantas e animais, dá para imaginar o interesse das nações desenvolvidas pela nossa biodiversidade. Um verdadeiro tesouro estimado em trilhões de dólares.
E aí eu dou razão ao Fernando, a pirataria, ou melhor, a biopirataria corre solta. E acontece através do ecoturismo, das ongs(existem milhares delas) que se aproximam dos povos indígenas e extraem deles informações importantíssimas, dos próprios pesquisadores oficiais e autorizados que fazem pesquisas paralelas financiadas por laboratórios de multinacionais, etc. A prova são as dezenas de patentes registradas por nações desenvolvidas, após a implantação de leis de proteção, sem que nenhum país recebesse qualquer contrapartida. E o Brasil é a maior potência do mundo no setor. Quase 30% de todas as espécies existentes estão aqui. Infelizmente, sendo dizimadas. Culpa da voracidade pelo lucro rápido, propiciado pelo comércio da madeira, do gado, da soja, da cana e pela inércia governamental.
Resta ao governo definir qual o caminho a ser seguido. Se continua sendo o do lucro proveniente da extração pura e simples, dizimando tudo, ou do investimento em ciência, em pesquisas. O que colocaria o país entre o seleto grupo produtor de medicamentos e demais produtos afins, gerando riqueza sem destruir.
Durante a transmissão de uma reunião da Comissão de Deputados, encarregada de discutir o assunto, um detalhe causou preocupação: uma grande parcela daqueles parlamentares é proprietária de terras naquela região. Só falta eles concluirem que a biopirataria só acabará quando a floresta acabar. Portanto, rezemos.
Em tempo: Ao postar este texto, ouço o noticiário que a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu demissão. Conhecendo um pouco a biografia da Ministra, sugiro que rezemos ainda mais.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

AMAZÔNIA

Aos dez anos de idade, o Julinho é um menino bastante interessado e sensível às questões ambientais, o que é realmente algo positivo e muito animador. Fizemos um acordo em que eu me comprometi a pesquisar e a escrever sobre a Amazônia. Aliás, aqui mesmo neste blog, em 5/10/07, eu postei um texto sobre a privatização da Amazônia.
Mas escrever o que sobre a Amazônia sem citar o desmatamento? Escrever sobre as suas lendas? Sobre a bela Iara, deusa das águas, que atraía os homens para o fundo do mar e dos rios com o seu canto mavioso e a sua rara beleza? Escrever sobre o boto? Sobre o curupira? Sobre a índia que se apaixonou pela lua e se transformou numa vitória régia? Ou escrever sobre a realidade dos "geleiros", barcos de pesca que fazem o arrastão, dizimando tudo com as suas redes de malhas finas? Ou ainda sobre a poluição dos rios pelo mercúrio utilizado no garimpo do ouro?
No entanto, o principal assunto é o desmatamento. Desmata-se para a criação de gado, para a extração de madeira, para a plantação de soja, de arroz, etc. Para se ter uma idéia, o rebanho bovino naquela região é estimado em 85 milhões de cabeças. Se considerarmos que cada boi necessita de aproximadamente 10.000m2 de pasto, dá para calcular o tanto de floresta que já foi destruída para a plantação de capim.
Mata-se a floresta em nome do "progresso". E com ela, vários dos seus defensores. Dois deles tornaram-se muito conhecidos: o seringueiro Chico Mendes e a irmã Dorothy Stang. Sendo que um dos mandantes do assassinato da religiosa foi absolvido recentemente pela justiça. Triste, muito triste!
Um outro problema é o desvio do foco e a inércia dos governos constituídos. Na Câmara Federal, existem dezenas e dezenas de projetos que abordam o desmatamento, visando o "desenvolvimento sustentável". O que nós necessitamos, na realidade, é de projetos de reflorestamento. Aliás, segundo o IPCC, reflorestar o planeta é a única maneira de se conter o processo de aquecimento global. Existe algum projeto nesse sentido? E o saneamento básico das cidades e vilas da floresta? Será que lá existem médicos e hospitais suficientes? E os investimentos em ciência para aproveitar toda aquela biodiversidade? Estes assuntos estão sendo discutidos no Congresso? Ou isso não é desenvolvimento? É para se pensar.
É bom salientar que os habitantes da Amazônia, os chamados amazônidas, não têm nada a ver com toda essa violência à natureza. A subsistência de cada um, do indígena ao seringueiro, passando pelos quilombolas, pelos colonos e pelos ribeirinhos, depende da floresta. E eles sabem disso e são felizes assim.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

MEDICINA x SAÚDE

A polêmica causada pelas declarações de um dirigente universitário da Bahia esconde uma outra discussão muito mais importante: a qualidade dos cursos de Medicina. Qualidade que não é das melhores naquela universidade. Fato que não está sendo muito explorado em função do conteúdo discriminatório daquelas declarações. Daí o foco para o berimbau e para a capacidade intelectual do povo baiano.
Em recente matéria jornalística, o governo manifestou a intenção de limitar ou até diminuir a quantidade dos cursos existentes. O que não é suficiente para melhorar a qualidade dos referidos cursos. Por outro lado, sabemos que os cursos de melhor qualidade são os oferecidos pelas universidades públicas. Por esse motivo e pelo fato de serem gratuítos, são os mais procurados. Portanto, freqüentados por quem tem condições de pagar escolas particulares e cursinhos extremamente caros. Cabendo à maioria, através dos impostos, custear esse sistema perverso e ter de custear também seus estudos nas universidades particulares. É certo que já existem alguns programas que amenizam esse problema, mas são paliativos. A solução consiste em melhorar substancialmente a qualidade dos cursos Fundamental e Médio da rede pública.
Quando eu menciono que os cursos de melhor qualidade são os oferecidos pelas universidades públicas, necessariamente não quero dizer que sejam o ideal. A impressão que se tem é que todos os nossos cursos de Medicina são regidos pela batuta da indústria de medicamentos. Resultando em profissionais extremamente voltados para a medicina curativa. Pouco ou nada para a medicina preventiva. Profissionais que têm a bula como bíblia e a receita como oração. O que faz do ser humano, do paciente, um meio e não um fim. Excessos do capitalismo. Daí para o materialismo, para o interesse particular em detrimento do interesse público, é um pulo. A Medicina passa a ser procurada mais pelo status social ou financeiro que ela propicia.
Li, recentemente, sobre os problemas da falta de médicos nos municípios de Coari e Parintins, no Amazonas. Se no interior dos estados mais ricos existem problemas, imaginem lá! Aqueles municípios pagam salários de até R$ 12.500,00 para diversas especializações médicas. Foram feitos anúncios inclusive nas três faculdades de Medicina de Manaus, sem sucesso. Talvez, uma das soluções seria obrigar os alunos formados nas universidades públicas a prestarem serviços nas regiões mais longinquas. Nem que fosse por um certo tempo.