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terça-feira, 13 de maio de 2008

BIODIVERSIDADE

As intervenções do Quinho e do Fernando no texto anterior suscitaram novas reflexões. Uma delas, sobre a nossa biodiversidade - quantidade de espécies animais e vegetais de uma região -. Se considerarmos que grande parte dos medicamentos existentes, inclusive produtos cosméticos e agroquímicos, têm o seu princípio ativo extraído de plantas e animais, dá para imaginar o interesse das nações desenvolvidas pela nossa biodiversidade. Um verdadeiro tesouro estimado em trilhões de dólares.
E aí eu dou razão ao Fernando, a pirataria, ou melhor, a biopirataria corre solta. E acontece através do ecoturismo, das ongs(existem milhares delas) que se aproximam dos povos indígenas e extraem deles informações importantíssimas, dos próprios pesquisadores oficiais e autorizados que fazem pesquisas paralelas financiadas por laboratórios de multinacionais, etc. A prova são as dezenas de patentes registradas por nações desenvolvidas, após a implantação de leis de proteção, sem que nenhum país recebesse qualquer contrapartida. E o Brasil é a maior potência do mundo no setor. Quase 30% de todas as espécies existentes estão aqui. Infelizmente, sendo dizimadas. Culpa da voracidade pelo lucro rápido, propiciado pelo comércio da madeira, do gado, da soja, da cana e pela inércia governamental.
Resta ao governo definir qual o caminho a ser seguido. Se continua sendo o do lucro proveniente da extração pura e simples, dizimando tudo, ou do investimento em ciência, em pesquisas. O que colocaria o país entre o seleto grupo produtor de medicamentos e demais produtos afins, gerando riqueza sem destruir.
Durante a transmissão de uma reunião da Comissão de Deputados, encarregada de discutir o assunto, um detalhe causou preocupação: uma grande parcela daqueles parlamentares é proprietária de terras naquela região. Só falta eles concluirem que a biopirataria só acabará quando a floresta acabar. Portanto, rezemos.
Em tempo: Ao postar este texto, ouço o noticiário que a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu demissão. Conhecendo um pouco a biografia da Ministra, sugiro que rezemos ainda mais.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

AMAZÔNIA

Aos dez anos de idade, o Julinho é um menino bastante interessado e sensível às questões ambientais, o que é realmente algo positivo e muito animador. Fizemos um acordo em que eu me comprometi a pesquisar e a escrever sobre a Amazônia. Aliás, aqui mesmo neste blog, em 5/10/07, eu postei um texto sobre a privatização da Amazônia.
Mas escrever o que sobre a Amazônia sem citar o desmatamento? Escrever sobre as suas lendas? Sobre a bela Iara, deusa das águas, que atraía os homens para o fundo do mar e dos rios com o seu canto mavioso e a sua rara beleza? Escrever sobre o boto? Sobre o curupira? Sobre a índia que se apaixonou pela lua e se transformou numa vitória régia? Ou escrever sobre a realidade dos "geleiros", barcos de pesca que fazem o arrastão, dizimando tudo com as suas redes de malhas finas? Ou ainda sobre a poluição dos rios pelo mercúrio utilizado no garimpo do ouro?
No entanto, o principal assunto é o desmatamento. Desmata-se para a criação de gado, para a extração de madeira, para a plantação de soja, de arroz, etc. Para se ter uma idéia, o rebanho bovino naquela região é estimado em 85 milhões de cabeças. Se considerarmos que cada boi necessita de aproximadamente 10.000m2 de pasto, dá para calcular o tanto de floresta que já foi destruída para a plantação de capim.
Mata-se a floresta em nome do "progresso". E com ela, vários dos seus defensores. Dois deles tornaram-se muito conhecidos: o seringueiro Chico Mendes e a irmã Dorothy Stang. Sendo que um dos mandantes do assassinato da religiosa foi absolvido recentemente pela justiça. Triste, muito triste!
Um outro problema é o desvio do foco e a inércia dos governos constituídos. Na Câmara Federal, existem dezenas e dezenas de projetos que abordam o desmatamento, visando o "desenvolvimento sustentável". O que nós necessitamos, na realidade, é de projetos de reflorestamento. Aliás, segundo o IPCC, reflorestar o planeta é a única maneira de se conter o processo de aquecimento global. Existe algum projeto nesse sentido? E o saneamento básico das cidades e vilas da floresta? Será que lá existem médicos e hospitais suficientes? E os investimentos em ciência para aproveitar toda aquela biodiversidade? Estes assuntos estão sendo discutidos no Congresso? Ou isso não é desenvolvimento? É para se pensar.
É bom salientar que os habitantes da Amazônia, os chamados amazônidas, não têm nada a ver com toda essa violência à natureza. A subsistência de cada um, do indígena ao seringueiro, passando pelos quilombolas, pelos colonos e pelos ribeirinhos, depende da floresta. E eles sabem disso e são felizes assim.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

MEDICINA x SAÚDE

A polêmica causada pelas declarações de um dirigente universitário da Bahia esconde uma outra discussão muito mais importante: a qualidade dos cursos de Medicina. Qualidade que não é das melhores naquela universidade. Fato que não está sendo muito explorado em função do conteúdo discriminatório daquelas declarações. Daí o foco para o berimbau e para a capacidade intelectual do povo baiano.
Em recente matéria jornalística, o governo manifestou a intenção de limitar ou até diminuir a quantidade dos cursos existentes. O que não é suficiente para melhorar a qualidade dos referidos cursos. Por outro lado, sabemos que os cursos de melhor qualidade são os oferecidos pelas universidades públicas. Por esse motivo e pelo fato de serem gratuítos, são os mais procurados. Portanto, freqüentados por quem tem condições de pagar escolas particulares e cursinhos extremamente caros. Cabendo à maioria, através dos impostos, custear esse sistema perverso e ter de custear também seus estudos nas universidades particulares. É certo que já existem alguns programas que amenizam esse problema, mas são paliativos. A solução consiste em melhorar substancialmente a qualidade dos cursos Fundamental e Médio da rede pública.
Quando eu menciono que os cursos de melhor qualidade são os oferecidos pelas universidades públicas, necessariamente não quero dizer que sejam o ideal. A impressão que se tem é que todos os nossos cursos de Medicina são regidos pela batuta da indústria de medicamentos. Resultando em profissionais extremamente voltados para a medicina curativa. Pouco ou nada para a medicina preventiva. Profissionais que têm a bula como bíblia e a receita como oração. O que faz do ser humano, do paciente, um meio e não um fim. Excessos do capitalismo. Daí para o materialismo, para o interesse particular em detrimento do interesse público, é um pulo. A Medicina passa a ser procurada mais pelo status social ou financeiro que ela propicia.
Li, recentemente, sobre os problemas da falta de médicos nos municípios de Coari e Parintins, no Amazonas. Se no interior dos estados mais ricos existem problemas, imaginem lá! Aqueles municípios pagam salários de até R$ 12.500,00 para diversas especializações médicas. Foram feitos anúncios inclusive nas três faculdades de Medicina de Manaus, sem sucesso. Talvez, uma das soluções seria obrigar os alunos formados nas universidades públicas a prestarem serviços nas regiões mais longinquas. Nem que fosse por um certo tempo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

ÁRVORES MUTILADAS

Entendemos que o SESI, e não poderia ser diferente, tem prestado grandes serviços à sociedade santista. Talvez por isso o sentimento de indignação seja ainda mais forte. Sentimento provocado pela mutilação de seis árvores existentes naquela instituição. Todas localizadas bem em frente à escola infantil mantida pelo próprio SESI, que mantém, também, um curso de jardinagem e paisagismo, divulgado através de duas faixas próximas às árvores mutiladas.
Além da agressão, fica o exemplo negativo para os alunos da escola infantil, do curso de jardinagem e para as milhares de pessoas que transitam diariamente naquela avenida, reconhecidamente, uma das mais movimentadas de Santos.
É triste que isso ainda ocorra. E mais triste ainda que tenha ocorrido numa instituição que sempre priorizou a educação. A educação que é a principal ferramenta, também, contra o caos ambiental.

segunda-feira, 31 de março de 2008

AJUDA DIVINA

O prefeito do Rio, César Maia, foi à Bahia rezar. Afirma que foi à Igreja do Bonfim pedir ajuda divina para resolver os problemas da dengue. Solicitando, através de orações, que os mosquitos voassem em direção ao mar. Deveria ter aproveitado e solicitado também ajuda para os problemas da violência e do caos na rede hospitalar.
Porém, tanto empenho e oração já não são necessários para o esgoto sem tratamento que corre a céu aberto em direção às lagoas e praias cariocas. Cerca de vinte mil toneladas por minuto. Afinal, não há necessidade de milagres para se deixar levar pela força da gravidade. Ironia à parte, também não foi necessário nenhum milagre para os Jogos Pan-Americanos serem realizados naquele estado. Mesmo tendo que multiplicar por dez o orçamento inicial. Saltou de quatrocentos milhões para quatro bilhões de reais. E quais foram os resultados? Será que foram convincentes as vitórias sobre Honduras, El Salvador e o Haiti? Alguém está acompanhando a utilização e a manutenção daqueles equipamentos? Anotem e confiram as notícias sobre esses assuntos no futuro.
Seguindo o festival de paradoxos e incoerências administrativas, vamos realizar a Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Também não será necessário nenhum milagre. Deus não elabora orçamento, não assina cheques e não transfere recursos de um lado para outro. Aliás, municípios e estados, muitos paupérrimos, já estão se mobilizando para reformar ou construir seus estádios. Mesmo que tenham de tirar da saúde ou da área social. Problemas que serão criados mas que depois Deus resolve.

sábado, 15 de março de 2008

QUALIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS

No processo de produção de bens ou de prestação de serviços, o objetivo final é a satisfação do cliente. Se ele está satisfeito ou não com o que lhe é oferecido, se atende ou não às suas expectativas, são as preocupações permanentes do fabricante ou do prestador de serviços. No setor privado, a globalização da economia e o aumento da competitividade faz com que a preocupação com a qualidade aumente na mesma proporção. A ponto do cliente ser estimulado a participar do processo de produção de bens ou de serviços prestados. E na busca da excelência, torna-se natural a eliminação de gastos supérfluos e a valorização da competência profissional.
Se no setor privado é assim, no setor público deveria ser igual. Mas não é. Um dos motivos é o faturamento. Não depende da vontade do cliente. Ele é literalmente imposto. Tampouco depende da qualidade dos serviços. A pirotecnia e a maquiagem prevalecem. E a concorrência, papel que deveria ser exercido pela oposição, não existe mais ou não resolve absolutamente nada. No fundo, no fundo, todos querem o mesmo. Sobra então para um ou outro político, comprometido com a ética, bradar no deserto. O que é insuficiente.
Com um campo tão fértil assim, a preocupação com despesas supérfluas no setor público é inexistente. Da mesma forma que a competência e a ética também não contam na valorização do funcionalismo. O que conta é a subserviência. A capacidade de abrir mão de príncipios para poder servir a alguém e não ao público. Fenômeno que acaba ferindo também a Constituição.
"...um servidor público não deve servir a alguém, a um senhor. Deve servir ao público. Uma coisa tão singela, mas tão esquecida..." (Ministra Marina Silva)

domingo, 9 de março de 2008

ATLETISMO NA ZONA NOROESTE DE SANTOS

Já comentei várias vezes sobre a importância da prática do Atletismo. É a modalidade mais fácil de ser praticada, os movimentos são todos naturais, e a menos excludente, todos têm vez: o veloz, o resistente, o gordinho(nos lançamentos e arremessos) e os mais altos(nos saltos). Com todas essas vantagens, acaba sendo a mais indicada para o combate à obesidade infantil. Principalmente nas escolas. Problema que vem crescendo a cada dia.
Pois bem, o Atletismo em Santos continua num marasmo preocupante. Teve uma participaçãp pífia nos últimos Jogos Abertos. E com todas as vantagens citadas, não existe nenhum programa escolar municipal ou estadual. A prova está na ausência absoluta das escolas nos Jogos Escolares. Tanto nos Jogos organizados pela SEMES, quanto nos Jogos organizados pela Delegacia de Esportes do Estado.
E agora, um outro agravante. A única pista com as dimensões oficiais existente em Santos não será mais utilizada. Pelo menos como Escola de Atletismo para a comunidade. O SESI não renovou a parceria com a SEMES. Justamente numa região que tem revelado tantos talentos. Para se ter uma idéia, dois deles sagraram-se Vice-Campeões mundiais: Elias Fonseca(barreiras) e Sanderlei Parrela(meio-fundo). Outros atletas com resultados importantes também foram revelados. Cosme(velocista), Cristiane(pentatlo), Carlos Alberto(meio-fundo), Fagner(decatlo), Maria(lançamento), Luiz Cláudio(barreiras), Márcia Palinkas(velocista) e Paulo Feitosa(fundo), foram alguns deles. Mais recentemente, Pedrinho(velocista) e Tamires(meio-fundo), ambos com onze anos de idade, sagraram-se campeões do Pró-Atletismo realizado no município de Praia Grande.
Para todos eles, exceto um ou outro, o cenário onde tudo começou foi no SESI. E tendo à frente o Prof. Daniel.